Mostrando postagens com marcador Dia 09. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dia 09. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Alfândegas



Descobri que tenho medo, medo não, PAVOR de alfândegas.

Fico na fila suando, imaginando que vou ser detido, preso, colocado numa sala de interrogatório, que vou ter que me despir e ser examinado ‘profundamente’.

Imagino que a policial irá fazer uma pergunta para a qual não terei resposta, pois não entenderei. Olho sempre em volta, procurando câmeras.

Me sinto culpado, pelo que eu não sei. Dá vontade de gritar, de confessar sei lá o que! Tá bom, fui eu quem colocou a bomba na embaixada! Vocês me pegaram! Parabéns, agora deixa eu ir pra casa!

Nunca sei o que vão perguntar, então não dá para ensaiar a resposta.
Digo um milhão de obrigados, thank you, merci, gracias, domoarigatogozaimasu, hi, bye.
Não me levem para o posto bilíngüe. Bilíngüe não!

Se eu achei a alfândega do Canadá assustadora, aquelas mulheres massudas, com cabelo corte militar, olhar duro e frio (‘Areyoutravelingwithsomekindoffood’ me perguntou ela, antes de olhar para minha cara e experimentar um ‘A-LI-MEN-TOOOOOOOOOO’), eu mal sabia que seria mil vezes pior com a alfândega japonesa.




As medidas anti-terrorismo adotadas pelo Japão intensificaram os procedimentos, passando de rigorosa para torturante. Um enorme cartaz falando sobre o combate do terrorismo, faz você sentir imediatamente acuado.

‘Confessa, confessa logo né?’

Logo de cara você é fichado, impressões digitais dos dois dedos indicadores e fotografado.
A fila antes disso, serpenteava pelo salão, com quase 300 pessoas aguardando serem chamadas.

Sem contar que o cara da fiscalização não foi com a minha cara, juro!
Todos passaram rapidamente, na minha vez, ele olhou duas, três vezes o passaporte, comentou algo com o colega ao lado, olhou de novo pra mim, para o passaporte, sério.
Uma eternidade em 12 segundos.

O mesmo acontece comigo com os portões detectores de metal, sempre sou pego.
No embarque de Guarulhos, tive que tirar as botas, por conta dos ilhoses de metal , após ter passado umas cinco vezes e sido reprovado em todas.


Ao final, de meias, descubro que tenho uma embalagem de aspirina no fundo do bolso traseiro da calça.

Alarme de pagação de mico! UEUEUEUEUE!

Mapa de Osaka

Finalmente Japão

O aeroporto de Kansai (Osaka) foi rebatizado por mim, após quase 30 horas de viagem, para ‘CANSEI’. Ufa! O aeroporto fica numa ilha artificial, um aterro, coisa bastante comum no Japão.
Fica a 50 km ao sul de Osaka.

Osaka

A entrada da cidade é bem feinha, mais ou menos como chegar no Rio de Janeiro pela Avenida Brasil, apenas fábricas, armazéns, fabricas, armazéns, é claro, multiplicado por mil.
E pontes e elevados bem sinalizados.


Pra começar, uma aula de respeito e tecnologia e que diz tudo sobre o Japão. Todos os elevados, viadutos, pontes, etc, possuem uma barreira acústica, um muro alto dos dois lados da pista, que ameniza o barulho causado pelo trânsito intenso. Nas vizinhanças de colégios e hospitais, estes muros se transformam num túnel. É lei.


Na entrada propriamente de Osaka me espera um engarrafamento, o costumeiro rush.


Fora isso é uma cidade aparentemente muito limpa e organizada, visivelmente rica. Pistas largas para os carros e calçadas estreitas para pedestres. Sinalização farta e trânsito ordenado.
A mão dos veículos é a ‘inglesa’.


Osaka não tem a correria das grandes cidades, apesar de seu tamanho.

Vejo pessoas de bicicleta, mulheres sozinhas passeando a noite, paquerando as vitrines sob a chuva fina. A época de chuvas ainda não terminou, está no seu finzinho.
No Japão não há horário de verão.


Ao redor do hotel (Ark Hotel Osaka), pequenos restaurantes simpáticos, práticos e limpos, eu diria funcionais.


Experimento o chá pela primeira vez, que no hotel é de graça, mas não é mais saboroso por isso.

A primeira vez...

Um poeta espanhol disse certa vez, sobre a cidade que amava (Paris), que sem nunca tendo estado lá, chegar foi 'retornar'.

De certo explica o que eu sinto.

De tanto que eu imaginei este momento, a primeira vez no Japão foi assim, um sentimento estranho de reconhecimento, ao invés do deslumbramento, como seria de se esperar.

Como já disse (ou não?) nasci no subúrbio do Rio de Janeiro, e penso que de certa forma, isso serviu para estabelecer um horizonte para minhas aspirações.
Quando me recordo que já morei em tantos apartamentos e todos me lembram aquele onde cresci, principalmente quanto ao tamanho/espaço, me vem a lembrança de um comentário de minha mãe, quando diante da expectativa de nos mudarmos para um enorme apartamento, decretou lacônica: 'Vai dar trabalho pra manter limpo’.
E o que este comentário tem a ver com a viagem?
Pois agora penso que vir ao Japão foi a coisa mais inusitada que fiz na vida.
Rompendo de certa forma, esta fronteira do esperado e do possível, para quem estava fadado ao comum e ao corriqueiro.
Pode parecer pouco estar aqui, mas não é.
O que vai acontecer daqui pra frente? Bom, quem sabe não vira outro blog?