Diarréia em crianças e alergia de pele, devido ao sorvete vindo da China.
Mas não é só o sorvete.
Há uma longa lista de produtos chineses que se deve evitar, devido as normas precárias de qualidade, e da utilização não aprovada de pesticidas, químicos, etc.
De tanto ver estes alertas, já memorizei o ideograma de China.
Serviria um crânio com ossinhos cruzados também.
Um comercial que já vi dezenas de vezes - desodorante para carro.
O papai-porcalhão come macarrão dentro do carro, deixa roupa suada no banco de trás, fuma com vidro fechado, etc.
Os filhos reclamam. Tome desodorante!
Parece também que os japoneses descobriram a Espanha recentemente.
Tudo que é para ser sexy, é meio 'espanholado', mesmo que não seja exatamente, flamenco.
Aula de aerobica é ao som de mambo!
Rebolar parece ser a solução definitiva para emagrecer. E tome castanholas e olhares de luxuria. - 'Como a senhora se sente após rebolar durante meia hora?'
'Sexy!'
A rainha dessa turma parece ser a tal dançariana Aya Sugimoto, um tipo piranha-chic, querendo ser Penélope Cruz. Aparece fazendo campanha de quase tudo... meu perfume predileto... MOVEMENTO, diz sussurrando... MOVEMENTO.
Hilário!
sábado, 12 de julho de 2008
Deu na tv japonesa
Quioto
Deuses capitalistas
No começo me passou uma idéia de desrespeito, a quantidade de lojinhas que estão ao redor de todo templo ou santurário.
Por vezes, próximas demais para serem relegadas, como quando no templo do Buda de Nara, se faz a volta (sentido horário) ao redor da maravilhosa estátua e vai se terminar nas lojinhas que ficam dentro do pavilhão.
Ok, são as lojinhas (e os turistas) que ajudam a manter e conservar tão bem as instalações, fora os hospitais e outras instituições que são favorecidas com o dinheiro da venda de lembrancinhas.
Como na entrada do santuário xintoísta, pode-se ver os barris de saque, doados por fabricantes locais. Outra forma de ganhar dinheiro, quem sabe a preferida do deus do xintoísta do dinheiro, se é que existe um.
Turismo e compras nasceram um para o outro, e não vivem separados, e já que estamos em pontos turísticos...provavelmente estou errado, e o Deus que-gosta-de-dindin, está em sua nuvem, sentado à sua caixa registradora dourada, balançando a cabeça contrariado.
Um susto!
Entrei num banheiro do lobby do hotel e dei de cara com duas mulheres, trabalhando na limpeza do chão e dos vasos sanitários.
Me cumprimentaram sorridentes, se curvando.
Mandei um ‘sumimasen’ e sai rápido, imaginando ter entrado no banheiro errado, mas não.
Lá estava o símbolo ocidental do homem, calças, cartola e bengala (?).
Entrei de novo, e sem dizer nada, um tanto constrangido, fui para uma cabine.
As mulheres conversavam do lado de fora, alheias aos outros homens que entravam, e estes japoneses, não se importavam em fazer suas necessidades à vista delas.
Tudo muito natural, menos para este gaijin.
Moças de quimono

Fotografei estas moças enquanto esperava meu ônibus, protegido do sol, no interior climatizado do shopping.
Meu constrangimento em pedir para tirar uma foto com elas, só não é maior que meu desprendimento para agir furtivamente (coisa de fotógrafo).
E imaginar que estas lindas roupas quase se tornaram peça de museu. A valorização da cultura oriental pelo ocidente, repercutiu de tal forma dentro da sociedade, que hoje artistas japoneses da televisão aparecem vestindo quimonos, em propagandas e filmes, incentivando o seu uso.
Compras em Quioto e reflexões

No shopping, com produtos artesanais da região e produtos ‘made in china’ com motivos de Quioto, percebi que aquilo falava bastante sobre o instante que atravessa o pais, que não é dos melhores.
Em um andar só de quimonos (os de seda passavam de 70 mil ienes ou mil e duzentos reais aproximadamente) soube que o país vem perdendo a guerra do bicho da seda para a Tailândia - e para o Brasil.
É um dos muitos reflexos negativos da diminuição das áreas agrícolas.
No final da segunda grande guerra, 30% da população era de agricultores, agora não chega a 3%.
A quebra da antiga ordem, aos poucos, faz com que as tradições acabem se perdendo, enfraquecendo. Tal fato acabou levando muitos estudiosos a saírem pelo mundo, para procurarem nas colônias japonesas em outros paises, o conhecimento que somente lá foi preservado.
As colônias neste sentido acabaram servindo como cápsulas do tempo, preservando conhecimentos e aspectos culturais.
O santuário Heian-jingun e seu jardim
Construído em 1895, após a capital ter se transferido para Tóquio.
A construção desse Santuário procurava "elevar o moral" e movimentar a economia local abalada com a perda de prestígio.
As 'bandeirinhas brancas', significam que o local ao qual estamos prestes a entrar, é sagrado para os xintoístas.
Na entrada deste templo xintoísta, como em outros, vemos um local com água corrente e uma espécie de colher, com a qual o visitante, usa para lavar as mãos e a boca, em sinal de respeito.
"Mãos limpas" e "palavras limpas" antes de adentrar um local sagrado.














Tori

Por onde quer que você vá no Japão, vai encontrar este tipo de portão.
O Tori talvez seja o ícone mais significativo para se avaliar a importância do Xintoísmo para os japoneses. Estes belos pórticos marcam a entrada dos recintos sagrados, podendo ser de madeira (pintada de vermelho), de pedra ou concreto.
Pavilhão Dourado Kinkaku-ji

Construído durante o reinado do terceiro xogun Ashikaga, a bela estrutura folheada a ouro é refletida na água do lago que a cerca.
Totalmente sem noção, virei-me para a guia japonesa, e perguntei o que era aquele ‘GALO’, no topo.
Delicadamente (já que estrangular turistas dá cadeia e pena de morte, no caso do Japão, a forca!) ela me explicou que se tratava da escultura de uma Fênix (o pássaro que renasce das cinzas) e que no Japão simboliza a felicidade.
Com uma expressão séria, disse que por isto sua aparição era tão rara.
Ok. Mensagem recebida, alto e claro.
Continuando o passeio seguimos para a região de Okazaki, onde se encontram museus, parques, o zôo municipal e o Santuário Heian-Jingu.
Xogun
Cabe aqui uma pequena explicação sobre o termo Xogun, para podermos entender melhor este mundo de palácios e castelos.
A história antiga do Japão, anterior ao ano 500 é repleta de contradições e 'versões', pois não havia ainda um registro escrito, ou não foi preservado.
De maneira que, muito do que se sabe é através de relatos (estes sim documentados) de viagens de comerciantes chineses pelo Japão daquela época.
Até por volta do ano 1100, a pobreza e a miséria estava espalhada pelas províncias e a busca pelo poder dividia as famílias mais ricas.
No Japão sempre houve, como existe ainda hoje, uma divisão entre o poder militar-econômico e o poder divino. O primeiro era ocupado pelo Xogun (um general), o segundo pelo Imperador (uma figura considerada divina e apenas representativa, sem poderes).
Por vezes acontecia do Xogun tomar o lugar do Imperador, assumindo o papel de único governante.
Foram vários xogunatos (governo pelo Xogun), de 1192 a 1868, quando então se iniciou a era chamada Meiji, ou a era moderna.
Estacionamento
Substituir o trabalho humano por uma máquina, é algo comum no país com o maior número de robôs do mundo.
Reparei que em alguns estacionamentos, não há ninguém 'tomando conta', mas um sistema que parece bem simples, com uma trava ao chão, que só é liberada, eu imagino, após o pagamento.
De cara me pareceu um sistema facilmente fraudável. Ou então é só o 'brasileiro' que existe em mim, buscando um jeitinho para conseguir estacionamento de graça...
Castelo Nijo
São muitas as atrações para se ver aqui em Quioto, templos, jardins, pagodes, etc.
Grande parte de seu patrimônio foi preservado, por nunca tendo sido uma cidade industrializada, sofreu menos com os bombardeios da segunda grande guerra.
O castelo de Nijo, construído em 1626, é um castelo baixo, consiste de dois anéis de fortificações,o externo que vemos nas fotos, altos muros com suas torres, e outro interno, que abriga as ruínas do palácio Honmaru (palácio interno), o palácio Ninomaru (de 3 mil metros quadrados) e diversas outras construções e jardins, em mais de 250 mil metros quadrados.
Foi residência dos shoguns de Tokugawa, apesar da capital ser Edo (Tóquio).
Vários incidentes (incêndios) destruíram partes do palácio, que foi reconstruído diversas vezes e só em 1939, foi aberto para o público.




O interior do castelo não pode ser fotografado. As ilustrações abaixo foram tiradas de postais.
Os painéis deslizantes foram pintados por artistas da famosa escola Kano (Kano Tanyu, o maior artista daquela época) . O castelo serviu de moradia temporária (Gyoko Goten) para o Imperador Gomizuno-o, para o qual Honmaru foi erguido.
Devidamente sem sapatos, podemos ver as salas destinadas aos oficiais, a recepção de visitantes, e outras, onde apenas o xogun e as mulheres podiam transitar,
(imagine que haviam mais de 3.000 mulheres, em diversas classes de importância e responsabilidade, na área do castelo, apenas para atender ao xogun.)
Abaixo, a reprodução de um postal, com esculturas representando os Daimyo - senhores feudais - reverenciando o xogun.
A visita ao palácio permite conhecer a complexa estrutura do espaço social e de sua hierarquia naqueles tempos. Algumas áreas estão restritas a visitação apenas de pessoas ilustres, mas a de acesso público é espantosa.
O imponente palácio Ninomaru, quase todo feito de ciprestes de Hinoku (árvore muito valiosa na época), tem em sua decoração, elaborados entalhes e ornamentos folheados a ouro, que dão uma idéia da riqueza e do poder dos xoguns.
Após a visita me bateu a dúvida, como se pinta algo que não existe? Nunca foi problema para a imaginação, representar dragões e serpentes aladas, mas e quanto aos tigres?
Talvez por isso sejam toscas representações, bem diferentes daqueles que conhecemos.
Uma das características deste palácio é o uso de madeira 'canto de rouxinol' no piso, que previnia invasores furtivos, já que a cada passo produz um som semelhante ao piar de pássaros.
As salas visitadas em seqüência são:
Yanagi-no-ma (Willow Room),
Wakamatsu-no-ma (Young Pine Room)
Tozamurai-no-ma (Retainers' Room)
Shikidai-no-ma (Reception Room)
Rochu-no-ma (Ministers' Offices)
Chokushi-no-ma (Imperial Messenger's Room)
No centro do palácio Ninomaru existem quatro câmaras chamadas:
Ichi-no-ma (First Grand Chamber)
Ni-no-ma (Second Grand Chamber)
San-no-ma (Third Grand Chamber)
Yon-no-ma (Fourth Grand Chamber)
as well as the Musha-kakushi-no-ma (Bodyguards' Chamber).
Aos fundos do palácio, contornando um dos vários jardins internos estão:
Kuroshoin (Inner Audience Chamber)
Shiroshoin (Shogun's living quarters)
(fonte Wiki)
Analfabeto em japonês
No Japão se utilizam basicamente quatro alfabetos:
Kanji - ideogramas originalmente chinês. Possui duas maneiras de ser lido, ou seja, podem ter significados diferentes. Apesar de existirem mais de 4 mil ideogramas, o joyo kangi, por exemplo, é uma lista de 1.945 básicos, definidos pelo governo, digamos assim, o bastante para uma criança.
Hiragana - um sistema fonético com 46 ‘letras’ que representam os sons em japonês e é utilizado junto com o kanji.
Katakana - como o hiragana, também é um sistema fonético, porém é usado apenas para representar nomes de origem estrangeira.
Romaji - o alfabeto romano.
Ser um estrangeiro (gaijin) analfabeto nestes três primeiros é complicado.
A única escapatória é esperar que alguém tenha tido o cuidado de escrever em inglês, em romaji, ou que você conheça a palavra em japonês, é claro.
Além disso, a língua japonesa é diferente da portuguesa.
A ordem das palavras na frase é oposta à ordem que nós utilizamos.
Diferente mas tem algumas vantagens para o aprendizado, por exemplo, os verbos não são conjugados para cada pessoa e praticamente não se usam pronomes pessoais.
Mas se comparada à semântica das palavras, a gramática perde muito em caracterizar uma cultura. Algumas palavras em português têm o exato sentido em japonês, por exemplo, “branco”, se diz “shiro”. Já ‘azul’ se diz ‘ao’ e ‘verde’ se diz ‘midori’.
Mas, quando uma fruta está verde, dizem que está ‘ao’ (azul?).
Quando o sinal de trânsito abre, também, diz-se que o sinal ficou ‘ao’.
Exemplos de como um analfabeto sofre:
Tentando escapar do calor senegalês, parto pra dentro de um café com samambaias de plástico e cadeiras vermelhas.
‘Cofi’ houses são abundantes, desde as internacionais como Tully, Starbucks, até as particulares, mais charmosas, com ares extrovertidos, modernosos ou europeizadas, como esta para onde eu fugi.
Imediatamente o balconista te reconhece como um forasteiro derretendo-se diante de seus olhos (puxados) e manda um ‘can I help?’.
Olho para a lousa, onde com giz estão escritas as opções.
Tudo está em kanji (ou o que for), até os preços e o telefone do PROCON japonês.
Mais importante nestas horas, do que conhecer o telefone da embaixada brasileira, é saber duas palavras:
Mizu e Biru. Água e cerveja.
Peço uma ‘biru’.
‘Onli cofi’ diz o balconista solicito como todos.
Faço uma careta, mistura de contrariado e frustrado.
‘Something cold', digo. 'Ice.’
‘Cofi i miko’.
Imaginei que se tratava de café com leite gelado, com pedras de gelo, e sem açúcar.
‘Nooooooooo.’
‘Ti?’ (Tea)
‘It´s ok.’
Não gosto de chá, mas pelo menos vem gelado e é realmente chá.
No Japão é muito comum você pensar que uma coisa é uma coisa e na verdade é outra.
Exemplo, sanduíches de queijo e presunto. Nunca é queijo, embora pareça, é sempre ovo.
Ou então você chega sedento numa máquina de vendas automática, você quer água, gelada, sem sabor, sem vitaminas, sem íons-plus, apenas a boa e velha água, não aquela água da Coca-Cola, mas parece que só tem café gelado(BOSS) e energéticos.
Mas ai então você vê uma garrafinha bonitinha que parece chá gelado, prometendo ser no mínimo refrescante.
Você paga 180 ienes e mais sedento que um legionário perdido no Saara, você abre a tal garrafinha e despeja dentro da boca seca.
Ao invés de beber, você... mastiga.
Sopa gelada.
Televisão japonesa
A televisão parece tomada por programas de auditório metidos a engraçadinhos, todos over, beirando o nonsense, Gugu Liberato acelerado por drogas lisérgicas.
E noticiários, todos iguais, com o mesmo formato hipnotizante-idiotizante.
Mas penso que, de certa forma, não há nada parecido com a televisão feita aqui.
Em que outro lugar é possível ver um comercial de calvície com galãs japoneses (que parecem ter saído de 1970, estilo Ronnie Von), vestidos de coelhinho, dando choques uns nos outros, e tudo muito rápido, com risadas gravadas distorcidas.
Dá para assistir por uns dois ou três minutos, depois fica insuportável.
Imagem e recato

São engraçadas estas adolescentes japonesas!
Todas parecem preocupadas com o visual, até aí nada demais, para uma adolescente, se não fosse de uma forma tão intensa, quase essencial para a sobrevivência.
Todas diferentes umas das outras, investem pesado na imagem, gastam fortunas para criar personagens, inventar ou se reinventar externamente.
Aí então quando você olha, elas baixam o rosto, disfarçam, parecem procurar um buraco pra se enfiar, até um tanto ofendidas.
Ora, se você sai na rua com uma saia enorme quadriculada, blusa rendada preta bufante, cabelos com mechas em fitas de tecido vermelho, usa botas com salto de pregos de 10 centímetros, não quer que as pessoas olhem?
Um dia eu vou entender...





