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terça-feira, 15 de julho de 2008

Pachinko

Antes de vir ao Japão, alimentava uma vontade enorme por fazer duas coisas, beeeeeeeeeem básicas.

Uma delas era cantar num karaokê, a outra jogar pachinko.





Pra minha surpresa os pachinko palaces que vi, não me animaram, e posso estar enganado, mas percebi um ar de reprovação sutil (não poderia deixar de ser) por parte da guia japonesa quanto à minha sugestão de irmos a um.


Além da aparência decadente, penso que o jogo deve provavelmente ser visto como nocivo para a sociedade, que não deve ser incentivado, mesmo como atração turística.

Os pachinkos pelos quais passei ficam isolados, são prédios enormes e sem janelas, à maneira dos cassinos do ocidente, para que se perca a noção do dia e da noite e se jogue continuamente.



Acho que é um dos poucos lugares onde não há proibição formal de se fumar, já que vi vários cinzeiros espalhados.

Fora isso o barulho frenético das máquinas, acaba dando uma dor de cabeça para os não iniciados.
Sei que existe também um sistema hipócrita de troca de bolinhas por produtos e posteriormente por dinheiro (do lado de fora), para manter as aparências de um jogo 'legal'.


Já li um entendido em pachinko, rebatendo a crítica de que o jogo não é apenas um pinball na vertical, pois no pinball o jogador trava uma batalha contra a morte, representada pela perda da bola (vida) nos buracos ‘fatais’. A luta é por manter-se ‘vivo’.

Já no pachinko, há uma representação zen, pois multiplica-se aquilo que se tem, para ser melhor (mais rico), já que o jogador começa com poucas bolinhas e, é bem sucedido, quando consegue sair com muitas mais do que entrou.

A queda contínua das bolas num fluxo equilibrado, como uma corrente, acompanhada de sons e luzes, induz o jogador a um estado de percepção alterada,um mantra eletrônico viciante.


Eu sei é que como qualquer outro jogo, deve ter causado sua parcela de sofrimento.
Não é a cara do Japão que se deseja vender para turistas, com certeza.

Museu do Pequeno Príncipe

Quem diria que a obra máxima do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, teria tantos admirados no Japão... será que tem algo a ver com o planetinha ocupado pelo burocrata?





Pizza na cratera do vulcão

Depois de duas horas subindo, paramos em uma daquelas paradas típicas para turistas, com restaurantes, shoppings, lojas de produtos da região e disputadíssimos banheiros.


O interessante da região é que se trata de uma das poucas áreas em que se encontra gado leiteiro, além de carne de corte. A melhor surpresa deste dia foi encontrar pela primeira vez desde que cheguei no arquipélago, um lugar vendendo queijo, tipo petisco, e caro.
200 gramas por 30 dólares. Caviar, com certeza, era mais barato.

Fomos para um restaurante kaitenzushi, mas estava em obras.
Então nos dispersamos, à procura de outro lugar para comer.

Depois de perambular pelo local e torcer o nariz para a maioria dos restaurantes, encontrei uma verdadeira cantina japonesa! TOSCANA! Que alegria!




Tirando a dificuldade de escolher o que comer, em um menu todo em kanji... eu estava no céu!


Como sempre havia um japonês solicito que se esforçou para me atender com o máximo de simpatia e cortesia, e me indicou a pizza da casa, uma marguerita. Massa fina crocante, queijo branco e um azeite leve e cheiroso e tomate!


Tudo isso e um canecão de ‘biru’ por 1980 ienes (20 dólares). Pagaria até o dobro!


Dali fomos ao ponto mais alto, um mirante com teleférico para chegar até a cratera.



Infelizmente (ou não) a subida estava fechada.

O querido vulcão, apesar de inativo, solta gazes venenosos - e quando a emissão passa do limite aceitável, o teleférico não sobe.



Caminhei pelo mirante, tirei algumas fotos e quase fui atropelado no estacionamento por um porsche verde metálico com capota preta, dirigido por uma japonesa loiraça-belzebu, de óculos rayban. Devia ser a Paris Hilton de Kumamoto.

Seria uma boa história para contar para os netos:
’Vocês estão vendo esta cicatriz? Uma vez, lá no alto do vulcão Aso...’




Ah sim, quando estávamos prestes a descer, a estação reabriu e todos saíram correndo para o teleférico.


Voltei para meu assento no ônibus e esperei.
Sinceramente, respirar gases tóxicos pra mim é esporte radical. Tô fora!


Com todos de volta ao ônibus, seguimos para Beppu.

Mapa de Aso

Em direção a Aso

De Kumamoto partimos para o monte Aso, que na verdade é uma região e não um monte propriamente, mas uma cadeia de montanhas com vinte e seis vulcões.






A calma bucólica da região não permite imaginar como deve ter sido há dez mil anos atrás, todos os vulcões em erupção permamente.

O ponto central entre eles acabou cedendo, e hoje esta região se chama em japonês CALDEIRA (40 quilômetros de circunferência).

Qual é seu tipo sanguíneo?

Entre todos os misticismos possíveis e imagináveis, nem o tipo sanguíneo escapou.
Cerca de 100 anos atrás, um “médico” pesquisou a relação entre tipo sanguíneo e personalidade e concluiu que homens do tipo O, eram bons como soldados do exército.
Atualmente, a maioria dos psicólogos e médicos, dizem que essa pesquisa não tem validade, no entanto, os japoneses ainda acreditam nela.

A maioria da população japonesa possui o tipo A, sendo o tipo AB o de menor ocorrência.

TIPO A - Você é sério, pontual, sensível, responsável e não é chamado para as festas, ou seja, ‘o chato’.
TIPO B - Se acha o centro do universo, apesar de social, só entende as coisas de uma única maneira. A sua. Na festa para a qual o TIPO A não foi convidado, você está lá, em cima da mesa.
TIPO O - O sujeito simpático que não atrai a atenção. Na festa você está ajudando a servir as bebidas.
TIPO AB - Indeciso, caprichoso e pouco confiável. Você não se decidiu à tempo se ia na festa e ninguem deu pela sua falta.

Saboru

Se alguém ainda duvida da importância que se dá ao trabalho e aos estudos no Japão, a palavra Saboru, que significa faltar no trabalho ou à aula, vem do inglês ‘sabotage’ (Sabotagem).

Redes

Estão por toda parte. Redes de campos de baseball, de golfe, enormes e nada discretas...





Repita comigo

Ryoko = Viagem
Ryokosha desu = Sou um viajante

Castelo de Kumamoto


Trata-se de um castelo em torre, extremamente bem guarnecido, construído pela clã Kato em 1607 e tomado pelo clã Hosokawa em 1632, que reinou ali por 240 anos até a era Meiji.

É constituído por 3 níveis, sendo que a torre principal fica no último, com 6 andares.
Também conta com um subterrâneo.




Em 1887 foi campo de batalha, quando o exército insurgente, liderado pelo samurai Saigo Takamori, se rebelou contra o governo Meiji (rebelião de Satsuma).




O castelo resistiu ao cerco de 53 dias e depois foi queimado.
Acredita-se que deste episódio originou-se o costume regional de comer-se carne de cavalo
(basashi).



Quase todo ele foi reconstruído. A grande torre(donjon) foi reconstruída na década de 60.




Recentemente, em homenagem aos 400 anos, o complexo foi reformado e aberto ao publico.






Junto com os castelos de Nagoya e Osaka, é considerado um dos três mais belos do Japão.



Fiquei à sombra, com dois gatorades de limão, observando o ir e vir dos turistas que se desfaziam no calor. O Saara é aqui!