sexta-feira, 25 de julho de 2008
domingo, 20 de julho de 2008
Enquanto isso no banheiro masculino

Encerrando a série Banheiros no Japão, algo que me chamou a atenção, foi encontrar trocadores de fraldas e cadeirinhas para bebês, nos banheiros MASCULINOS (provavelmente também nos femininos, mas não pude conferir).
Taí uma coisa que poderia entrar para a lista de coisas que tem no Japão e não tem no Brasil.
Karaokê

Meu sonho de cantar Garota de Ipanema (mezzo em português, mezzo Sinatra) foi por água abaixo mesmo. Os karaokês que encontrei pela viagem, são dedicados ao gênero enka, que é algo mais como a nossa MPB (antes de tudo virar MPB), ou a mistura do standard com o country, para os americanos, ou o fado para os portugueses.
Vou ter que treinar algum tempo em casa, antes de me arriscar mo microfone, numa próxima viagem.
Itadakimasu !!
O-miai no seki o youishite itadakemasuka? Por favor, arrange um casamento pra mim?
Da lista de coisas que tem no Japão - em excesso - lojas para noivas e salão para casamentos.
Na verdade, parece ser um ramo muito bem explorado, atingindo todas as categorias, estilos e classes.



De comum, apenas a pieguice-over do japonês nestas situações, digamos, românticas.
No hotel vi convidados saindo de salão para casamentos, com suas sacolinhas de mão.
O nome do salão: Cinderela Room. Quem disse que japonês também não é brega?

Polícia para quem precisa
Como se constrói um país sem crianças - ou o Japão de 2050 - Parte 2
Um grande fenômeno de vendas de um Natal passado no Japão, foi um simpático e curioso boneco de 30 centímetros que falava mais de 250 frases, cantava, reclamava se era deixado sozinho e dava boas-vindas quando seu dono chegava em casa. A novidade foi batizada de Primo Puel, adaptação do italiano com significado próximo a "primeiro filho". Custavam 72 dólares no Japão, com uma venda espetacular de mais de 400.000 exemplares no país.
O dado curioso do Primo Puel é que a maior parte de seus consumidores não são crianças, e sim mulheres na faixa entre 20 e 30 anos. No site oficial do boneco há inúmeras declarações de fãs que o tratam como se fosse uma criança de verdade. Outras dizem que ele é um grande amigo e algumas o consideram um namorado. As mais fanáticas chegam a afirmar que não poderiam mais viver sem sua companhia. Todo esse sucesso tem deixado em alerta as autoridades do país, que estão em plena campanha para aumentar a baixa taxa de natalidade local. Nessas condições, nada poderia ser mais inconveniente que a propaganda de um filho de brinquedo para as japonesas jovens e solteiras.
A média atual é de 1,34 nascimento por mulher, uma das menores do mundo.
US$ 10.000 por filho - Empresa japonesa oferece recompensa para que seus funcionários tenham mais bebês.
Acostumados a fabricar Tamagotchi, aquele bichinho de estimação virtual, e Power Rangers, bonequinhos intergalácticos, os funcionários da japonesa Bandai têm agora de produzir crianças.
A empresa, terceira maior fabricante de brinquedos do mundo, está oferecendo 10.000 dólares (cerca de 18.400 reais) para cada bebê gerado por seus empregados, a partir do terceiro filho.
O estímulo financeiro à procriação é compreensível no Japão.
A população do país está envelhecendo rapidamente e as conseqüências econômicas desse fenômeno podem ser desastrosas.
O governo japonês divulgou na semana passada um relatório dando números ao problema. As pessoas com mais de 65 anos já representam 16,7% da população e, segundo projeções, em 2005 o porcentual chegará a 19,6%, o maior do mundo.
Em quinze anos, um em cada quatro japoneses terá mais de 65 anos.
No Brasil apenas 6% dos habitantes estão nessa faixa etária.
Com tantos idosos, o país asiático poderá experimentar, em poucos anos, o colapso de seu sistema previdenciário.
Os poucos cidadãos com idade para trabalhar e contribuir para a previdência não seriam suficientes para sustentar os aposentados.
Imigração – Para que o sistema previdenciário japonês continue viável, poderiam ser adotadas duas medidas, segundo um estudo recente da Organização das Nações Unidas: aumentar a idade mínima de aposentadoria para 77 anos ou promover a imigração em massa. As duas soluções, na verdade, são impraticáveis. Aposentadoria aos 77 anos, quando a expectativa de vida é de 79, é fora de propósito. No que chamou de imigração de reposição, a ONU estimou que, para cumprir a meta, seriam necessários mais de 10 milhões de imigrantes por ano nos próximos cinqüenta anos.
Ao fim do período, haveria quatro vezes mais imigrantes do que japoneses no Japão.
Diante disso, o prêmio da fábrica de brinquedos faz sentido.
Elevar a taxa de natalidade é a solução.
O governo japonês também está em campanha para aumentar o número de filhos por casal.
A média de fertilidade no país é de 1,4 filho por mulher, abaixo da taxa de reposição.
Atualmente, cada casal recebe uma mesada de 50 dólares para cada um dos dois primeiros filhos até que completem 3 anos de idade. Do terceiro filho em diante, a ajuda sobe para 100 dólares. Uma nova lei vai estender o benefício até que as crianças atinjam 6 anos, mas manterá o programa acessível apenas às famílias de renda mais baixa. As autoridades japonesas se apressam em negar que o objetivo das medidas seja promover o nascimento de bebês.
Dizem que o Estado não pode interferir na vida pessoal das mulheres e influenciar a decisão de ter ou não um filho. Segundo o governo, a idéia é aliviar os custos da criação de uma criança.
No fundo, dá tudo no mesmo.
Além das dificuldades financeiras, a exigente rotina de trabalho no Japão também é um impedimento para a maternidade. Em uma sociedade na qual os homens têm pouca ou nenhuma participação nos afazeres domésticos, a opção pela gravidez é muito bem avaliada pelas mulheres. Os governantes também pensaram nisso e querem estimular creches com horários flexíveis e ajudar na redução da jornada de trabalho dos pais.
Enquanto o governo se preocupa em resolver o problema demográfico do país, a Bandai parece mais interessada em garantir seu mercado futuro.
Imagine só o prejuízo que seria fabricar brinquedos em um país sem crianças.
Como se constrói um país sem crianças - ou o Japão de 2050.
Está no Washington Post.
O baixo índice de nascimentos no Japão nas últimas décadas se tornou uma crise de governo .
Comissões foram criadas para estudar medidas para reverter o quadro.
Não é brincadeira, trata-se de uma questão de sobrevivência, com implicações catastróficas à longo prazo.
Atualmente, grande parte dos efeitos são amenizados pelo ingresso de estrangeiros, suprindo posições e cargos, mas esta solução nada garante, já que não se criam raízes, nem se preserva a cultura.
Difícil trafegar nesta via de muitas mãos, sem esbarrar com o psique, com a natureza de um povo que ainda preza a estrutura familiar, tendo como fundamento o casamento tradicional.
Hoje, as mulheres solteiras com menos de 30 anos, querem construir sua independência, planejando para após os trinta anos, construir sua família.
As mulheres com mais de 30 anos se queixam que os homens querem substituir uma mãe por outra e acumulam tarefas e obrigações no trabalho, incompatíveis com criar filhos (sem a ajuda do marido).
Por sua vez, as empresas são relutantes em contratar ou manter, mulheres com filhos, apesar das leis que proíbem esta discriminação.
Acompanhando uma tendência similar a Taiwan, Singapura e China e Coréia do Sul, o número de mulheres solteiras dobrou em 10 anos e de acordo com estudos da saúde feminina, a fertilidade vem caindo nas últimas três décadas.
Entre as medidas adotadas pelo governo, está a orientação para que as empresas, de não manterem seus funcionários homens até tarde no escritório, procurando assim, melhorar a qualidade de vida da família e, conseqüentemente, aumentar o número de bebês.
Para piorar a situação, culturalmente a mulher japonesa tende a largar o trabalho com o nascimento do primeiro filho e não consegue retornar anos depois.
Um japonês trabalha em média 60 horas por semana e apenas 0,5% se utiliza da lei que garante
o descanso com a família. Na Suécia o número é de 17%.
Dentro do trabalho os homens permitem que as mulheres se expressem, desde que não tenham que obedecê-la. Outra pesquisa diz que os homens divorciados voltam a casar em menos de 2 anos, enquanto que as mulheres raramente o fazem.
Ainda assim, os casamentos continuam populares, somente 4% das mulheres com mais de 45 anos nunca se casaram. Mais raro que isso são aquelas que tiveram filhos sem estarem casadas, menos de 2% de todos os nascimentos. Mães solteiras ainda são um tabu, assim como casais vivendo juntos sem estarem casados e também a adoção por solteiras.
A adoção não é uma opção para casais sem filhos, por questão de laços sanguíneos, perpetuação do nome de família, etc.
Apesar do seriado ‘Sex and the city’ fazer grande sucesso no Japão, a iniciativa romântica por parte das mulheres é bastante mal vista pela sociedade.
Como se constrói um país de velhos - ou o Japão em 2025
Já que o envelhecimento da população japonesa é crescente, o mercado resolveu trocar seu alvo. Saem os jovens de sucesso e entra a turma de cabelos grisalhos (baby boomers das décadas de 50-60).
Hoje no Japão, três em cada cinco compradores do Nintendo Wii já passou de 40 anos.
Esta influência cultural, e seu poder de compra, afastou a crônica fixação na juventude.
A Nintendo desenhou o Wii, seu mais novo e brilhante produto do mundo dos games, para as gerações mais velhas, com jogos recreativos e tradicionais, como tênis e golfe.
A Nissan, gigante do ramo de automóveis, refez sua linha de esportivos para adaptar portas deslizantes, facilitando para aqueles com pouca mobilidade física.
Os últimos modelos de celulares (ketai), vem com botões mais largos e displays maiores.
Mesmo a programação da MTV japonesa, está investindo em flash-backs nostálgicos, visto que sua audiência está ficando grisalha.
Pesquisas dizem que o homem mais procurado tem por volta de 37 anos, e a mulher 31.
Aquilo que era visto pejorativamente, como ‘velhice’, foi substituído por ‘charme maduro’.
Até as firmas de cosméticos estão se adaptando. Ao invés de produtos para retardar a velhice, cremes com propriedades que mantém a saúde do corpo e preservam a ‘beleza interior’.
A geração que ajudou a erguer o Japão à segunda economia do planeta, está com 60 anos e alcançou a aposentadoria forçada. Quase 4 milhões de homens irão se aposentar em 2009.
Contudo, a maioria não irá mendigar com sua pensão, já que conforme caminham para a aposentadoria, seus salários tendem a subirem como prova de lealdade à empresa, e ao se afastarem, recebem um bônus de quase 3 vezes o salário anual.
Mas ainda assim a maioria está relutante em se aposentar.
Quase 60% dos japoneses prefere manter-se na ativa.
A grande diferença dos baby boomers de antes e os atuais, é que com a erosão da estrutura familiar, esta é a primeira geração que não está preocupada em deixar uma herança para os filhos.
O Japão de velhos em números:
-Dos 127 milhões de japoneses, 21% tem mais de 65 anos, a média é de 45 anos.
Em 2025, serão 33%, e a média será de 50 anos.
-A expectativa de vida hoje é de 82 anos, a maior do mundo. A segunda é de 78 anos (UK).
-35% dos homens com mais de 65 anos ainda trabalha. O percentual europeu é de 10%.









































