segunda-feira, 28 de julho de 2008
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Gueixa moderna

Impossível ir ao Japão e na volta não ouvir a pergunta: 'E as gueixas?'
O ocidental alimenta uma idéia errada do papel da gueixa, muito por conta dos estereótipos do cinema.
Antigamente, (põe antigamente nisso) lá pelo shogunato Tokugawa (1603-1868), algumas mulheres eram treinadas desde cedo, para entreter os homens importantes, através do canto, da dança, da habilidade com determinado instrumento musical, ou apenas como uma companhia agradável à mesa, durante uma refeição ou celebração.
Para a sociedade, era uma prova de sua sofisticação, o auge.
Para as meninas, era uma chance de ascender, não só financeiramente.
Estas mulheres, chamadas gueixas ( 'pessoa das artes'), com o tempo assumiram um papel maior na vida econômica e política do reino.
Passou-se a permitir então, que qualquer pessoa, independente da seu status, pudesse ter este prazer, dai a proliferação dos distritos de gueixas em cada cidade.
Tóquio chegou a ter mais de uma dúzia deles, verdadeiros bairros, com restaurantes e casas de show e bares, casas de banho e de massagem.
É claro que com o passar do tempo, mesmo os japoneses começaram a desvirtuar a idéia original, pois no antigo sistema, a gueixa não ia para a cama com os clientes.
(Para um estrangeiro, a colocação do laço do quimono diz tudo, já que o laço feito à frente, caracteriza uma prostituta vestida como uma gueixa.)
Aos poucos também as escolas de gueixas (okiya), verdadeiros quartéis, começaram a desaparecer. Aquelas que ainda existem, se limitam ao ensino da profissão, pois uma gueixa de verdade (com licença para ser gueixa) atualmente não se difere de qualquer outra profissão.
Escolhem este trabalho voluntariamente e se aposentam quando querem.
Além disso, existe a exploração da imagem da gueixa, como aquelas que atendem à domicilio (instant geisha), através de agências de contato. Basta pegar o telefone:
Um jantar com os amigos do trabalho... Precisa de duas gueixas? Estamos enviando. Com notinha ou sem ?
Outra diferença é que um gueixa licenciada, trabalha até os 60, 70 anos, enquanto que uma 'gueixa instantânea', com seus 20 anos de idade, vende além da ilusão, sua juventude.
Em busca do Japão perdido
Depois de algum tempo vendo pessoas usando ternos e roupas da moda, comendo no MacDonalds ou penduradas ao celular, zumbizando por uma farmácia Smile Life, a gente se pergunta se aquele Japão exótico e milenar ainda existe.
Acho que sim, está disfarçado debaixo de um casaco adidas, chocalhando no metrô, mas existe sim.
Algumas pistas, que nos conduzem a este Japão estão por toda parte.
Você está na rua e um bando de garotos com uniformes de baseball passa correndo por você, e então surgido do nada, você ouve um koto (cítara japonesa), fazer a ponte entre o presente e o passado.
Saindo de Osaka
Em direção a Nara
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Bicicletas e scooters

Uma coisa que chama bastante a atenção para olhos forasteiros, é a quantidade de bicicletas e scooters. As scooters são a menina dos olhos das grandes montadoras como Suzuki e Yamaha, que lançam modelos mensalmente, cada vez mais preocupados em agradar os jovens compradores.
Mas com tanta bicicleta, é de se esperar que o trânsito as vezes fique caótico, não é mesmo?
Aí é que você se engana.
As leis para o ciclista são tão rígidas quanto para os motoristas, e recentemente foram reformuladas.
As bicicletas são obrigadas a trafegar no acostamento, apenas podendo subir na calçada quando o trânsito for perigoso. Assim mesmo, só naqueles locais aprovados e sinalizados por placas.
Luz dianteira (dínamo) é obrigatório também.
Vi alguns guias impressos, sobre como se evitar acidentes ao passar da rua para a calçada e vice-versa. Coisa de japonês...
Pela lei, as crianças são obrigadas a usar capacetes, e o uso de guarda-chuvas está proibido sem o devido porta-guarda-chuvas (?), que deixa o ciclista com as duas mãos livres.
Cadeirinhas para crianças é só na frente.
O infrator primeiro recebe uma advertência, depois é multado.
E a multa é pesada, 20.000 ienes (mais ou menos 200 dólares) e vai subindo com as seguintes.
Também é proibido pedalar usando fones de ouvido ou celular.
E o ‘trimtrimtrim’ que apesar de bonitinho, irrita, também deve ser evitado.
E quem pensa que as bicicletas que trafegam em qualquer rua japonesa são da última geração, não é bem assim. A bicicleta mais comum de se ver, é o que chamam de mamachari (uma espécie de bicicleta de 'mãe').
Com sua cestinha frontal para guardar as compras e quase sempre um assento para uma criança pequena atrás. Mas não são apenas as mães as únicas usuárias, todo mundo parece ter uma, de engravatados preocupados em chegar no escritório, até jovens descolados.
Nem marcha tem, são modelos antigos, algumas com freio-pedal.
Mas não se iluda, apesar de não serem vistosas (são utilitários, e não objetos do desejo), são coisa séria, existem inclusive empresas que faturam bem na reciclagem delas.
Bicicleta tem seguro (basta registrar na loja em que comprou e caso seja roubada, recebe outra igual), apesar de não ser tão comum o roubo, mas não vi nenhuma de cadeado ou corrente.
Também há o seguro contra acidentes, caso se machuque ao cair, ou seja atropelada por uma.
Já viu um estacionamento vertical de bicicletas? Existe, e guarda quase 20 mil ‘magrelas’ em quatro andares, com só dois funcionários. É todo automático. O sujeito ganha um cartão magnético ao entrar. O funcionário põe a bicicleta num trilho e ela é levada por elevador e encaixada dentro de estruturas semelhantes a uma espinha de peixe. Para pegar de volta, basta passar o cartão pelo leitor e esperar 5 minutos. Custa 1,50 a hora.
Caro né?
E não se chama de bike. Bike ou baiko, é motocicleta.

Bicicleta é ‘jitensha’.
Aliaís, meu primeiro mico no Japão (sim, o primeiro de muitos), foi perguntar pra minha guia japonesa, se as bicicletas deixadas no estacionamento gratuito (nas grandes cidades existe sempre um, perto das estações de metrô), eram liberadas para uso de qualquer pessoa, pois não via ninguém se preocupando em colocar tranca ou corrente.
Ela olhou pra mim com estranhamento e respondeu: ‘Não. Tem dono né!’
‘Mas ninguém coloca cadeado?’
‘Tem gente 'ki roba'. É pouco, né. Mas ‘roba’.
‘Mas então não era melhor usar cadeado?’
Ela até agora não deve ter entendido muito bem o porquê da pergunta.
Baka Gaijin! (estrangeiro estúpido!)
Depois do Aquário Kaiyukan
Me enfiei num shopping, onde consegui comprar cerveja, um sanduíche em pão árabe, fritas e suco de laranja. 1200 ienes tudo.
No Japão o imposto é único, 5% sobre tudo vai para o governo, exceto combustíveis, o imposto sobe para 7%.
Comprei outra garrafa d’água numa máquina de venda automática antes de seguir viagem, a quinta, apenas hoje.
Fazem 28 graus, mas é muito abafado. Transpira-se muito.
A água tem, como sempre, um gosto qualquer, quase sempre frutificada ou com íons de reposição ou sais.
Raro é achar água mineral, ainda mais com gás.
Refeição rápida no quarto de hotel

1.Retire o plástico protetor e o anel de papel que envolve a embalagem.
2.Retire a tampa externa, separando os talheres plásticos.
3. Coloque o saquinho com o molho sobre a tampa interna e feche com a tampa externa.
4. Coloque o anel de papel de novo.
5. Com a embalagem sobre uma superfície plana e resistente ao calor, puxe o fio laranja que sai da embalagem, até aparecer a parte azul do fio.
6. Aguarde 10 minutos. (Não se assuste com o vapor saindo, é assim mesmo!)
7. Abra a embalagem com cuidado, retire o saquinho de molho, retire a tampa interna, corte o saquinho de molho e despeje sobre o macarrão.
8. Itadakimasu!
9. Depois de terminar, basta juntar as partes de novo e... lixo.


Salvo por uma jihanki
A maioria dos hotéis possuem em cada andar, um canto discreto onde se podem encontrá-las, normalmente junto com a máquina de gelo.
Esta vendia refeições semi-prontas. Foi amor à primeira vista...
Na falta de serviço de quarto e de um restaurante aberto nas proximidades (os estabelecimentos fecham bem cedo na maioria dos lugares), então encontrar aquela máquina foi quase uma intervenção divina.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Osaka
A entrada da cidade é bem feinha, mais ou menos como chegar no Rio de Janeiro pela Avenida Brasil, apenas fábricas, armazéns, fabricas, armazéns, é claro, multiplicado por mil.
E pontes e elevados bem sinalizados.


Pra começar, uma aula de respeito e tecnologia e que diz tudo sobre o Japão. Todos os elevados, viadutos, pontes, etc, possuem uma barreira acústica, um muro alto dos dois lados da pista, que ameniza o barulho causado pelo trânsito intenso. Nas vizinhanças de colégios e hospitais, estes muros se transformam num túnel. É lei.


Na entrada propriamente de Osaka me espera um engarrafamento, o costumeiro rush.
Fora isso é uma cidade aparentemente muito limpa e organizada, visivelmente rica. Pistas largas para os carros e calçadas estreitas para pedestres. Sinalização farta e trânsito ordenado.
A mão dos veículos é a ‘inglesa’.
Osaka não tem a correria das grandes cidades, apesar de seu tamanho.
Vejo pessoas de bicicleta, mulheres sozinhas passeando a noite, paquerando as vitrines sob a chuva fina. A época de chuvas ainda não terminou, está no seu finzinho.
No Japão não há horário de verão.
Ao redor do hotel (Ark Hotel Osaka), pequenos restaurantes simpáticos, práticos e limpos, eu diria funcionais.
Experimento o chá pela primeira vez, que no hotel é de graça, mas não é mais saboroso por isso.



























