Apesar de ter gostado bastante de voltar a comer pizza, fiquei com vontade de conhecer um restaurante do tipo kaitenzushi. Quem sabe em Tóquio...
Adoro a comida japonesa (nihon shoku), e sei que aquela que estamos habituados no Brasil a chamar de 'japonesa', não é a que se come no Japão, não todos os dias.
O sushi por muito tempo foi considerado uma iguaria, apenas para ocasiões especiais e o
surgimento dos kaitenzuchis veio ajudar a mudar isso.
Kaitenzuchi são restaurantes que servem basicamente sushi, mas diferente do estilo tradicional que conhecemos (sushiya), no kaitenzushi os clientes escolhem os pratos que estão dispostos sobre uma esteira rolante (a velocidade é de +- 4 cm por segundo).
O número de pratos e as suas cores, determinam o valor a ser pago ao final.
A inspiração para a criação, em 1958, destes restaurantes, veio da esteira de uma fábrica de cerveja alemã. Hoje são quase 5 mil restaurantes deste tipo no Japão e a maioria adota o sistema econômico, ou seja, o prato mais barato sai por 100 ienes (105, com imposto incluido), mas não dá para esperar que por este preço, o peixe seja fresco, né?São basicamente um fast-food à moda japonesa.
Os tamboretes não incentivam os fregueses a permanecer muito tempo sentados, e o serviço rápido garante a rotatividade, conseqüentemente, mais clientes atendidos.
Cada freguês dispõe usualmente de um oshibori (uma toalha úmida para limpar as mãos), um pequeno recipiente para o molho de soja e a garrafinha de shoyo, tsume (um molho adocicado que fica muito bom com enguia), hashis descartáveis, um cardápio plastificado e gari (gengibre fatiado em vinagre). O sencha (chá) é de graça, e cada um se serve à vontade.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Okanjo kudasai ! (A conta por favor!)
terça-feira, 15 de julho de 2008
Museu do Pequeno Príncipe
Pizza na cratera do vulcão
Depois de duas horas subindo, paramos em uma daquelas paradas típicas para turistas, com restaurantes, shoppings, lojas de produtos da região e disputadíssimos banheiros.
O interessante da região é que se trata de uma das poucas áreas em que se encontra gado leiteiro, além de carne de corte. A melhor surpresa deste dia foi encontrar pela primeira vez desde que cheguei no arquipélago, um lugar vendendo queijo, tipo petisco, e caro.
200 gramas por 30 dólares. Caviar, com certeza, era mais barato.
Fomos para um restaurante kaitenzushi, mas estava em obras.
Então nos dispersamos, à procura de outro lugar para comer.
Depois de perambular pelo local e torcer o nariz para a maioria dos restaurantes, encontrei uma verdadeira cantina japonesa! TOSCANA! Que alegria!

Tirando a dificuldade de escolher o que comer, em um menu todo em kanji... eu estava no céu!
Como sempre havia um japonês solicito que se esforçou para me atender com o máximo de simpatia e cortesia, e me indicou a pizza da casa, uma marguerita. Massa fina crocante, queijo branco e um azeite leve e cheiroso e tomate!
Tudo isso e um canecão de ‘biru’ por 1980 ienes (20 dólares). Pagaria até o dobro!
Dali fomos ao ponto mais alto, um mirante com teleférico para chegar até a cratera.
Infelizmente (ou não) a subida estava fechada.
O querido vulcão, apesar de inativo, solta gazes venenosos - e quando a emissão passa do limite aceitável, o teleférico não sobe.

Caminhei pelo mirante, tirei algumas fotos e quase fui atropelado no estacionamento por um porsche verde metálico com capota preta, dirigido por uma japonesa loiraça-belzebu, de óculos rayban. Devia ser a Paris Hilton de Kumamoto.
Seria uma boa história para contar para os netos:
’Vocês estão vendo esta cicatriz? Uma vez, lá no alto do vulcão Aso...’

Ah sim, quando estávamos prestes a descer, a estação reabriu e todos saíram correndo para o teleférico.
Voltei para meu assento no ônibus e esperei.
Sinceramente, respirar gases tóxicos pra mim é esporte radical. Tô fora!
Com todos de volta ao ônibus, seguimos para Beppu.
Em direção a Aso
De Kumamoto partimos para o monte Aso, que na verdade é uma região e não um monte propriamente, mas uma cadeia de montanhas com vinte e seis vulcões.



A calma bucólica da região não permite imaginar como deve ter sido há dez mil anos atrás, todos os vulcões em erupção permamente.
O ponto central entre eles acabou cedendo, e hoje esta região se chama em japonês CALDEIRA (40 quilômetros de circunferência).
Tudo igual ?
Não entendo como as pessoas podem achar que os japoneses são todos iguais.
Para mim existem diferenças, não gritantes, mas sutis.
É aceito hoje que os japoneses são uma mistura de 4 grupos raciais, dois grupos distintos de mongóis da Ásia central, um malaio do sul e os Ainus, caucasianos habitantes originais das ilhas mais ao norte.
O que causa este estereótipo, é que no geral, entre os japoneses não existem extremos, tanto quanto encontramos no ocidente.
Mas basta olhar mais atentamente para perceber diferenças por regiões.
As pessoas das ilhas do norte e leste são mais 'bolachudas', com o rosto mais redondo.
Ao sul são mais angulosos, ocidentalizadas.
E não há como passar despercebida a beleza das mulheres de Quioto, pela delicadeza dos traços e proporções.
Além do mais, os padrões anteriores a 1950 estão desaparecendo. Os jovens estão mais altos, e mais fortes que os pais, as mulheres mais volumosas e os homens mais musculosos.
Sem falar da obesidade que começa a aparecer.





