segunda-feira, 28 de julho de 2008
domingo, 13 de julho de 2008
Rumo a Hiroshima

Sai cedo do hotel, após o tradicionalíssimo café-bacon-ovos-salsicha-grapefruit.
Fazem 31 graus mas a sensação é de quarenta.
O ar condicionado do ônibus para a estação de trem de Quioto suaviza a situação.
A estação de trem de Quioto, como todas, é muito limpa, parece que acabou de ser toda lavada. Chama a atenção cada detalhe cromado que parece brilhar de novo.
sábado, 12 de julho de 2008
Quioto
Deuses capitalistas
No começo me passou uma idéia de desrespeito, a quantidade de lojinhas que estão ao redor de todo templo ou santurário.
Por vezes, próximas demais para serem relegadas, como quando no templo do Buda de Nara, se faz a volta (sentido horário) ao redor da maravilhosa estátua e vai se terminar nas lojinhas que ficam dentro do pavilhão.
Ok, são as lojinhas (e os turistas) que ajudam a manter e conservar tão bem as instalações, fora os hospitais e outras instituições que são favorecidas com o dinheiro da venda de lembrancinhas.
Como na entrada do santuário xintoísta, pode-se ver os barris de saque, doados por fabricantes locais. Outra forma de ganhar dinheiro, quem sabe a preferida do deus do xintoísta do dinheiro, se é que existe um.
Turismo e compras nasceram um para o outro, e não vivem separados, e já que estamos em pontos turísticos...provavelmente estou errado, e o Deus que-gosta-de-dindin, está em sua nuvem, sentado à sua caixa registradora dourada, balançando a cabeça contrariado.
Moças de quimono

Fotografei estas moças enquanto esperava meu ônibus, protegido do sol, no interior climatizado do shopping.
Meu constrangimento em pedir para tirar uma foto com elas, só não é maior que meu desprendimento para agir furtivamente (coisa de fotógrafo).
E imaginar que estas lindas roupas quase se tornaram peça de museu. A valorização da cultura oriental pelo ocidente, repercutiu de tal forma dentro da sociedade, que hoje artistas japoneses da televisão aparecem vestindo quimonos, em propagandas e filmes, incentivando o seu uso.
Compras em Quioto e reflexões

No shopping, com produtos artesanais da região e produtos ‘made in china’ com motivos de Quioto, percebi que aquilo falava bastante sobre o instante que atravessa o pais, que não é dos melhores.
Em um andar só de quimonos (os de seda passavam de 70 mil ienes ou mil e duzentos reais aproximadamente) soube que o país vem perdendo a guerra do bicho da seda para a Tailândia - e para o Brasil.
É um dos muitos reflexos negativos da diminuição das áreas agrícolas.
No final da segunda grande guerra, 30% da população era de agricultores, agora não chega a 3%.
A quebra da antiga ordem, aos poucos, faz com que as tradições acabem se perdendo, enfraquecendo. Tal fato acabou levando muitos estudiosos a saírem pelo mundo, para procurarem nas colônias japonesas em outros paises, o conhecimento que somente lá foi preservado.
As colônias neste sentido acabaram servindo como cápsulas do tempo, preservando conhecimentos e aspectos culturais.
O santuário Heian-jingun e seu jardim
Construído em 1895, após a capital ter se transferido para Tóquio.
A construção desse Santuário procurava "elevar o moral" e movimentar a economia local abalada com a perda de prestígio.
As 'bandeirinhas brancas', significam que o local ao qual estamos prestes a entrar, é sagrado para os xintoístas.
Na entrada deste templo xintoísta, como em outros, vemos um local com água corrente e uma espécie de colher, com a qual o visitante, usa para lavar as mãos e a boca, em sinal de respeito.
"Mãos limpas" e "palavras limpas" antes de adentrar um local sagrado.














Pavilhão Dourado Kinkaku-ji

Construído durante o reinado do terceiro xogun Ashikaga, a bela estrutura folheada a ouro é refletida na água do lago que a cerca.
Totalmente sem noção, virei-me para a guia japonesa, e perguntei o que era aquele ‘GALO’, no topo.
Delicadamente (já que estrangular turistas dá cadeia e pena de morte, no caso do Japão, a forca!) ela me explicou que se tratava da escultura de uma Fênix (o pássaro que renasce das cinzas) e que no Japão simboliza a felicidade.
Com uma expressão séria, disse que por isto sua aparição era tão rara.
Ok. Mensagem recebida, alto e claro.
Continuando o passeio seguimos para a região de Okazaki, onde se encontram museus, parques, o zôo municipal e o Santuário Heian-Jingu.
Castelo Nijo
São muitas as atrações para se ver aqui em Quioto, templos, jardins, pagodes, etc.
Grande parte de seu patrimônio foi preservado, por nunca tendo sido uma cidade industrializada, sofreu menos com os bombardeios da segunda grande guerra.
O castelo de Nijo, construído em 1626, é um castelo baixo, consiste de dois anéis de fortificações,o externo que vemos nas fotos, altos muros com suas torres, e outro interno, que abriga as ruínas do palácio Honmaru (palácio interno), o palácio Ninomaru (de 3 mil metros quadrados) e diversas outras construções e jardins, em mais de 250 mil metros quadrados.
Foi residência dos shoguns de Tokugawa, apesar da capital ser Edo (Tóquio).
Vários incidentes (incêndios) destruíram partes do palácio, que foi reconstruído diversas vezes e só em 1939, foi aberto para o público.




O interior do castelo não pode ser fotografado. As ilustrações abaixo foram tiradas de postais.
Os painéis deslizantes foram pintados por artistas da famosa escola Kano (Kano Tanyu, o maior artista daquela época) . O castelo serviu de moradia temporária (Gyoko Goten) para o Imperador Gomizuno-o, para o qual Honmaru foi erguido.
Devidamente sem sapatos, podemos ver as salas destinadas aos oficiais, a recepção de visitantes, e outras, onde apenas o xogun e as mulheres podiam transitar,
(imagine que haviam mais de 3.000 mulheres, em diversas classes de importância e responsabilidade, na área do castelo, apenas para atender ao xogun.)
Abaixo, a reprodução de um postal, com esculturas representando os Daimyo - senhores feudais - reverenciando o xogun.
A visita ao palácio permite conhecer a complexa estrutura do espaço social e de sua hierarquia naqueles tempos. Algumas áreas estão restritas a visitação apenas de pessoas ilustres, mas a de acesso público é espantosa.
O imponente palácio Ninomaru, quase todo feito de ciprestes de Hinoku (árvore muito valiosa na época), tem em sua decoração, elaborados entalhes e ornamentos folheados a ouro, que dão uma idéia da riqueza e do poder dos xoguns.
Após a visita me bateu a dúvida, como se pinta algo que não existe? Nunca foi problema para a imaginação, representar dragões e serpentes aladas, mas e quanto aos tigres?
Talvez por isso sejam toscas representações, bem diferentes daqueles que conhecemos.
Uma das características deste palácio é o uso de madeira 'canto de rouxinol' no piso, que previnia invasores furtivos, já que a cada passo produz um som semelhante ao piar de pássaros.
As salas visitadas em seqüência são:
Yanagi-no-ma (Willow Room),
Wakamatsu-no-ma (Young Pine Room)
Tozamurai-no-ma (Retainers' Room)
Shikidai-no-ma (Reception Room)
Rochu-no-ma (Ministers' Offices)
Chokushi-no-ma (Imperial Messenger's Room)
No centro do palácio Ninomaru existem quatro câmaras chamadas:
Ichi-no-ma (First Grand Chamber)
Ni-no-ma (Second Grand Chamber)
San-no-ma (Third Grand Chamber)
Yon-no-ma (Fourth Grand Chamber)
as well as the Musha-kakushi-no-ma (Bodyguards' Chamber).
Aos fundos do palácio, contornando um dos vários jardins internos estão:
Kuroshoin (Inner Audience Chamber)
Shiroshoin (Shogun's living quarters)
(fonte Wiki)





