“Meu Deus, meu Deus! Como tudo é esquisito hoje!”
A frase dita por Alice no início do segundo capítulo de ‘Alice no País das Maravilhas’, serviria para acompanhar as reações de um viajante, por estas bandas do mundo.
Com certeza o mestre do nonsense Lewis Carol, não cruzou as vielas e ruzinhas estreitas do Japão, nem nunca se deparou com os izakaya (literalmente ‘barzinho bom’) com suas portinhas pequeninas. São baixas mesmo, até para os padrões japoneses.
A explicação de um brasileiro, foi a de que o cliente 'de fogo', sairia de quatro...
“Não poderei passar, esta porta é pequena demais! Beba um gole desta bebida e você ficará pequenininho” disse-lhe um simpático ratinho.
RETIFICANDO
Quando eu disse que as máquinas de venda automática, eram os botequins de um país sem eles, eu tinha me esquecido dos izakayas.
Tá bem, TEM botequim no Japão...
(a foto da rua de izakayas é do TTGZ)
sábado, 19 de julho de 2008
Mukashi, mukashi (era uma vez...)
Fantasmas de Tóquio
Não é só na Inglaterra que se fatura com o mundo sobrenatural e não é de se espantar que no Japão, com tanta tradição no culto aos mortos, isso também ocorresse.
Alguns anos atrás, foi bastante divulgada a mudança do então ministro Junichiro Koizumi, para uma nova residência. A alegação foi de que o primeiro ministro queria modernizar a sua imagem, mas para os japoneses, a mansão oficial (um casarão de 70 anos) estava assombrada.
"O exorcismo se tornou uma indústria multibilionária no Japão", diz uma reportagem do jornal americano Los Angeles Times.
Exorcistas e caça-fantasmas oferecem seus serviços para grandes empresas e não cobram barato, 400 dólares a 160.000 dólares, dependendo do serviço.
Um famoso samurai que morreu há mais de 1.000 anos, possui uma conta bancária administrada por uma sociedade, e com um saldo de quase 200 mil dólares.
No Japão, ninguém dúvida que eles existem. Em algumas cidades, alguns lugares são famosos por serem considerados assombrados, como em Misasagi, que quer dizer mausoléu.
A polícia todo mês recebe ligações por causa das ‘aparições’.
São muitas as superstições japonesas, algumas são absurdas e engraçadas, mas aquelas que dizem respeito à morte são levadas à sério.
Nunca se deve espetar o hashi (palitos de comer) em qualquer comida, mas especialmente no arroz, porque apenas em funerais, o hashi é fincado na tigela do arroz, que é colocada no altar.
Nunca se deve passar uma comida de hashi para hashi, pois é um gesto praticado com os ossos de cremação.
Deve-se sempre arrumar o futon de maneira que se durma virado para o sul, nunca para o norte. Essa é a posição que o corpo de uma pessoa morta é colocado, em um funeral budista.
Tirar uma foto com 3 pessoas, fará com que a pessoa que estiver no meio das outras duas, morra logo ou sofra uma grande tragédia.
Muitas pessoas cobrem os espelhos do quarto, à noite, por medo que uma mulher de outro mundo atravesse o espelho e os leve embora para sempre.
Traz azar responder a uma pessoa que fala enquanto dorme.
Dá azar quebrar um pente ou tira do geta (tamanco de madeira) ou do zori (chinelo de palha).
Terá um dia ruim se um cortejo fúnebre passar em sua frente, já um bom presságio é um passarinho defecar em sua cabeça.
O número ‘4’ é pronunciado como ‘shi’, em japonês, que é a mesma pronúncia para a palavra morte. Portanto, não se deve presentear nada ligado a esse número, ou composto por 4 peças. Em alguns hotéis o quarto número 4 é pulado e o número ‘9’ é pronunciado como ku, que é a mesma pronúncia da palavra dor. Hospitais geralmente não têm o quarto e o nono andar.
(fonte Aliança Cultural Brasil Japão)
A morte à maneira japonesa

Os japoneses também fazem suas ofertas aos mortos em casa, em santuários domésticos, conhecidos como butsudan.
O respeito e veneração aos mortos é tão presente que se harmoniza com outros aspectos da vida japonesa.
É comum, por exemplo, que grandes empresas como Sony, Panasonic, Mitsubishi, possuam seus próprios mausoléus, onde pode-se pedir por prosperidade nos negócios, prevenção de acidentes de trabalho e o reconhecimento da preferência do consumidor.
Isso se deve as empresas adotarem um comportamento semelhante ao que era encontrado no Japão feudal, entre daymios (gerentes) e soldados (funcionários), para sobreviver no mundo dos negócios através da inserção de aspectos religiosos.
A ideía da morte para eles é diferente da nossa.
A morte, tanto para chineses, japoneses, tibetanos e indianos, influenciados pela cultura budista, é ocasião de júbilo. O budista chora quando nasce uma criança e ri quando se vai um morto.
No cotidiano, a morte é um 'assunto' budista, assim como o nascimento é xintoista e o casamento católico. O lado pragmático do japonês fala alto nesta hora.
O funeral budista muda um pouco, de acordo com a região, mas alguns aspectos são notáveis.
Vi documentários sobre funerais budistas e já li a respeito. Confesso que tenho curiosidade (mórbido eu?) sobre o assunto, principalmente esta relação com o espírito do(a) falecido(a), que é bastante diferente do comportamento cristão que estou acostumado.
Como no ocidente, a pomba do funeral, ou a inexistência dela, depende da condição financeira da família e conseqüentemente, de seu status social.
O responsável pelos preparativos tradicionalmente fica por conta do filho mais velho, que irá escolher o dia da missa, o tipo de altar, a comida e presentes para os convidados, tipo do caixão, as flores e tudo mais. Também igual ao ocidente, os parentes se vestem de preto.
Dentro do caixão seguem um quimono branco, sandálias, dinheiro de papel (para pagar a travessia por rio dos três infernos) e uma bandagem de cabeça branca, com um triangulo no centro. Alguns outros itens como cigarros e doces de preferência da pessoa.
Recepcionistas ficam à porta para receber os convidados. Cada convidado assina seu nome em um livro de registro e entrega ao membro mais velho da família, o koden (dinheiro de condolência, dentro de um envelope especial, preso com fita preta).
O valor depende da relação do convidado com a pessoa morta ou com a família, e estará escrito do lado de fora e também é registrado no livro junto ao nome do convidado.
O funeral ocorre no dia seguinte, quando o corpo segue para um templo, onde é colocado em um altar. Um monge escreve em uma tábua de madeira, o nome pós-morte do(a) falecido(a), e o coloca em frente ao caixão.
Os parentes podem oferecer homenagens pela última vez, como flores, antes do caixão seguir para o crematório.
Normalmente os parentes seguem para casa para aguardar a hora de voltar para receber os restos. Uma chave, que simbolicamente fecha o crematório é ofertada ao membro que representa a família.
Em algumas regiões, a família faz um caminho diferenciado para casa, prevenindo que o espírito os siga. Uma refeição especial espera os familiares em casa e pessoas mais próximas.
Na hora marcada, os familiares voltam ao crematório e ficam de frente para a bandeja com os restos mortais. É dada aos familiares a oportunidade de escolher os ossos, que serão guardados.
Um atendente do crematório os ajuda na tarefa indicando os mais importantes.
Os membros da família selecionam os ossos com pauzinhos, colocando-os na urna.
Esta tarefa explica o por que, quando duas pessoas ao se alimentar, quando pegam o mesmo pedaço de comida com os pauzinhos, ambas devolvem aquele pedaço.
Quando a urna está cheia (as vezes são usadas duas urnas, onde uma fica no templo e outra no altar em casa) ela é coberta e amarrada com panos brancos e mantida assim por 49 dias.
Uma vez que a urna esteja no túmulo, seguem-se as missas em memória, que consistem em visitas aos túmulos.
No budismo a morte é mais do que uma oportunidade para reflexão, a palavra 'morte' para o budismo significa, 'aquele que vai nascer'.
Cemitérios japoneses e o Bon odori
Os cemitérios japoneses competem com os campos de baseboro por espaço.
É possível encontrá-los nos cantos mais suspeitos, enfiados entre prédios, atrás de galpões, espremidos em lugares mínimos.


Em alguns deles dá para ver pratos de comida diante das lápides.
Li não sei onde que hoje é uma prática proibida por lei. O medo das autoridades é que venham a alimentar as aves, favorecendo o crescimento das populações de pombos e gralhas, causando um desequilíbrio ecológico.
Este hábito de ofertar comida aos mortos, vem de um sutra budista.
O monge Mokuen, ao saber que a mãe morta, sofria de fome no inferno, ofertou-lhe uma tigela de arroz para aliviar a sua dor. Porém, cada vez que a mãe colocava um pouco de comida, o alimento se transformava em fogo e queimava sua boca.
Mokuen pediu a Buda que ajudasse a aliviar a dor e o sofrimento de sua mãe.
Buda então aconselhou-o no dia 15 de julho, manter todos os monges da localidade enclausurados dentro de um grande mosteiro, para que eles ficassem, pelo menos por um dia, sem pisar nos pequenos insetos e nas flores.
No dia combinado, Mokuen chamou todos os monges da região para o grande mosteiro, dizendo que lhes ofereceria um banquete em homenagem à sua falecida mãe.
Foi feita tanta comida que os monges passaram o dia inteiro comendo, bebendo e cantando, e ninguém se lembrou de sair do mosteiro.
Quando o dia terminou, o espírito de sua mãe apareceu para ele, transformada em um ser do 6º Plano Astral. Ela estava iluminada e tão leve que chegava a flutuar.
Ao ver sua mãe iluminada e flutuando como um chouchin (lanterna japonesa) ao vento, Mokuen ficou tão feliz que começou a dançar de alegria.
Os monges, que estavam alegres (o que a bebida não faz...), gostaram da dança de Mokuen e saíram dançando atrás dele. Acabaram por formar uma grande roda, simbolizando o círculo da felicidade.
Assim surgiu o bon odori, como dança que faz homenagem ao espírito de pessoas falecidas.
Takushii ni noritai desu (vou de táxi)
Segui de táxi com mais dois conhecidos, até o prédio só de material esportivo da Mizuno, sete andares no centro de Shinjuku, um andar para cada modalidade.
Andar de táxi em Tóquio é tranqüilo e desmistifica aquela idéia de que é um absurdo de caro.
Os motoristas usam luvas, terno, gravata e quepe.
Arriscam no inglês e se desdobram em mesuras e gentilezas.
A bandeirada em Tóquio é de 700 ienes, e uma corrida de 15 minutos, saiu por 1200 ienes.
Eu sei que para o japonês médio não é um preço acessível, principalmente frente ao metrô, cujo bilhete mínimo custa 160 ienes.
Os carros porém não são lá estas brastemps todas.
São pesadões, ultrapassados, de comum são todos cafonas (com paninhos bordados e decorados com lacinhos) e as portas são automáticas. Você não deve tentar abrir ou fechar, pede um aviso.Algumas fotos de táxis, de diversas cidades.
Quando estávamos indo para o prédio da Mizuno, uma das pessoas que estava comigo, conversava em japonês com o motorista.
Como de praxe, quando estranhos se encontram, o motorista iniciou a apresentação, disse seu nome e onde nasceu. Assim cada qual foi se apresentando.
-Fulana de tal, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil.
E o motorista: - Huhmmm.
-Fulaninho de tal, Goiânia, Goiás, Brasil.
E o motorista sem tirar os olhos do caminho: - Huhmm
- Carlos Frederico, Rio de Janeiro, Brasil.
Ai o motorista se vira pra mim, abre um enorme sorriso e diz: -Carnivaro, né?
A piada mortal
Passando por Akihabara, praticamente tropecei num amontoado de 'oferendas', muitas flores, garrafinhas de chá verde e algumas fotos, bem no estilo americano de se prestar homenagens póstumas.
Distraído e mais suado que tirador-de-espítirtos, só fui me dar conta horas depois, do que se tratava. Naquele local, poucos dias antes, um cara de 25 anos matou 7 pessoas com uma faca, e feriu outras 11.
Lembro que meu maior espanto, ao ler a notícia no jornal, foi a frieza do sujeito, ao planejar metodicamente seu ataque, desde o percurso da caminhonete que usou para atropelar as pessoas ,até a hora escolhida, quando as ruas estavam cheias de gente, como hoje.
“Vim a Akihabara para matar gente. Estou cansado do mundo. Qualquer um estava bom. Vim sozinho.”, declarou ao ser preso pela polícia.
'Senhoras e Senhores! Vocês já o conhecem pelas manchetes dos jornais! Agora tremam ao ver com seus próprios olhos, o mais raro e trágico dos mistérios da natureza! Apresento…
O homem comum! Fisicamente ridículo, ele possui por outro lado, uma deturpada visão de valores. Observem o seu repugnante senso de humanidade, a disforme consciência social e o asqueroso otimismo - é mesmo de dar náuseas, não? O mais repulsivo de tudo são suas frágeis e inúteis noções de ordem e sanidade - se submetido a muita pressão...Ele quebra!
Então como ele faz pra viver? Como esse pobre e patético espécime sobrevive no mundo cruel e irracional de hoje? A triste resposta é… “Não muito bem!”
Frente ao inegável fato de que a existência humana é louca, casual e sem finalidade, um em cada oito deles fica piradinho! E quem pode culpá-los? Num mundo psicótico como este…
Qualquer outra reação seria loucura!'
Coringa.
Akihabara
A meca mundial das engenhocas eletrônicas, dos games, animes, mangá, simplificando, da cultura pop japonesa (j-pop).
Apesar da variedade de produtos e das novidades, o comércio é bem distribuído, não há vendas de rua. Camelôs praticamente inexistem e também há um rígido controle sobre a venda de produtos sem nota, ou de procedência duvidosa ou ilegal.
Prepare-se para sumir na multidão! É gente pra todo lado!
Jovens afoitos, atrás do último lançamento, calçadas lotadas (e mais calor).
Os preços são salgados e, apesar de tanta tecnologia, nada despertou meu interesse.
Ou então eu estava em choque!
Preciso voltar outro dia, com uma temperatura mais suportável e quem sabe, numa quarta...Comprei lembranças apenas.
Tenho tudo que preciso.
(Que mentira...)
Escolho me abrigar numa casa de jogos eletrônicos, mas o ataque sonoro dos pins, zins, zuip, me irrita e saio logo procurando outro abrigo.Acabo dentro da estação de metrô, vendo as gótica lolitas na calçada e sentindo pena delas, usando aquelas roupas neste calorão...
TASPO
O hábito/vício de fumar, ainda é bem comum e popular entre os japoneses, e apesar das medidas que vem sendo tomadas pelo governo , o número de fumantes vem diminuindo pouco.
Praticamente o fumante no Japão é tratado como um proscrito, um doente - mas parece não fazer tanto efeito.
É terminantemente proibido fumar em lugares fechados, a não ser em salas determinadas para isso. Vi em um shopping, uma casinha pequena, do formato de iglu, onde os fumantes (de pé) davam tragadas e trocavam baforadas. Numa mesa alta, diversos folhetos explicando os males e oferecendo serviços e opções de como se livrar do vício.
A foto ai embaixo mostra uma destas 'salas' para fumantes, em Tóquio.
Por incrível que pareça, em algumas cidades, fumar na rua é proibido, mas é possível ver algumas áreas, ao ar livre (?), escolhidas para esta ‘prática’.
Uma das últimas medidas do governo foi condicionar a venda de cigarros nas máquinas de venda automática, ao uso de um cartão, o Taspo.
(Nesta máquina de cigarros de um hotel, consta um aviso dizendo que para comprar, basta pegar o taspo na recepção.)

Apenas maiores de idade (a partir de vinte anos), conseguem o tal cartão, mediante o preenchimento e envio de um formulário para a Federação Japonesa do Tabaco, que fica responsável por cadastrá-los. Se esta medida fosse no Brasil, todos estariam falando mal do governo, pois precisou-se gastar uma fortuna para adaptar as milhares de máquinas já existentes no país.
Além disso, haveria um comércio ilegal de cartões de cigarro logo, logo... e o que impediria o garoto de pegar escondido o cartão do pai, ou da mãe, ou do irmão mais velho?
Talvez a medida funcione no Japão, mas me parece que seria mais barato investir em campanhas anti-tabagistas na televisão, revistas e jornais, pois não vi nenhuma por lá.
Takai ou Tá caro!
A fama do Japão tem, de ser um destino muito caro para turismo, parece depender das escolhas de cada um, é claro, mas em geral, comparativamente os preços são realmente mais salgados.
Para se ter uma ideía, fiz uma cesta básica:
Pão de forma branco pequeno = 3,00 reais
Manteiga 200g = 4,89
10 ovos = 5,00
1 kg farinha = 4,00
1 litro leite = 3,80
1.5 litro de água = 5,50
Meia dúzia de laranjas = 10,00
5 kg de arroz = 36,00
1 kg de sal = 2,30
450 g Spaguetti = 6,40
1 kg de açucar = 4,68
100g de café em pó = 10,00
E alguns supérfluos ‘básicos’:
Entrada p/cinema = 40,00
Cerveja lata 355ml = 5,00
Latinha Coca Cola = 2,50
Maço de cigarro = 6,00
McCheeseburger = 4,20
Fritas grande = 6,50
Pizza calabresa e cogumelo, média, na Domino = 64,00
Torre de Tóquio
Impressionante! Foi erguida em 1958 e tem exatos 333 metros de altura, 9 metros mais do que a Torre Eiffel, na qual foi inspirada.
Olha a fila...
O mirante fica a 100 metros de altura, uma vista de 360 graus.
Pena que a poluição não deixou ver o Fujiyama.
A torre vai completar 50 anos e já estão se preparando para construir uma nova torre, de 600 metros, que já tem nome, Sky.
A nova torre vai abrigar os canais digitais até 2012, quando todo o Japão já estará com televisão de sinal digital.



